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Fases críticas na criação de bezerras de rebanhos leiteiros
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A criação de bezerras constitui-se em importante segmento nos sistemas de produção de leite. Partindo-se do princípio que todo produtor está sempre procurando melhorar geneticamente seu rebanho, utilizando sêmen ou cobrindo suas vacas com animais melhoradores, é de se esperar que os animais nascidos tenham maior potencial para a produção de leite. Assim, quanto mais cedo estes animais entrarem em produção, substituindo os mais velhos e menos produtivos, mais rapidamente o melhoramento genético será incorporado ao rebanho, resultando em maior produtividade. Disto depreende-se que, mais do que custo, a criação de bezerras, e por extensão das novilhas, deve ser entendida como um investimento. |
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Do nascimento até os três/quatro meses de idade, as bezerras merecem toda a atenção. A mão-de-obra encarregada de tratar desses animais tem de ser especialmente treinada com o objetivo de propiciar todo um ambiente de conforto para as bezerras. Isto significa principalmente: (a) observações diárias e cuidadosas de cada animal, para verificar se a bezerra apresenta comportamento normal - qualquer mudança de comportamento deve ser avaliada para a tomada de medidas preventivas; (b) características das fezes e possível presença de corrimento nasal; (c) condições das instalações, garantindo estarem limpas e secas; (d) fornecimento da alimentação com calma e paciência, principalmente da alimentação líquida; e (e) carinho no trato com os animais. Neste artigo são destacadas as duas fases consideradas mais críticas da criação de bezerras: as três primeiras semanas de idade e aquela por ocasião do desaleitamento, sendo sugeridas medidas preventivas e de manejo que, se adotadas, poderão minimizar os problemas mais comumente observados. Vale ressaltar que são enfocadas, principalmente, aquelas propriedades que adotam o aleitamento artificial (dieta líquida fornecida em baldes, mamadeiras ou bibeirões), desaleitamento precoce (por volta dos dois meses de idade) e onde os bezerros são mantidos em instalações individuais durante a fase de aleitamento e depois do desaleitamento manejados em grupos. As três primeiras semanas de idade As três primeiras semanas de vida dos bezerros são críticas. Boa parte das mortes e ocorrências de doenças, principalmente diarréias e pneumonia, ocorrem neste período. O estresse do nascimento e o fato dos anticorpos (proteção contra os agentes causadores de doenças) serem assimilados somente após o nascimento, fazem com que os bezerros sejam muito vulneráveis, e esta vulnerabilidade aumenta com atitudes inadequadas de manejo e alimentação. Algumas sugestões para minimizar os problemas nesta fase:
A época do desaleitamentoOs bezerros podem ser desaleitados (corte no fornecimento da dieta líquida) com seis/oito semanas de idade, se um bom concentrado inicial está sendo oferecido desde a segunda semana de idade. O desaleitamento é fator de estresse para os bezerros e coincide com o momento de mudá-los de instalações individuais para o manejo em grupos. Em muitas propriedades, depois de desaleitados, os bezerros passam a conviver em grupos em piquetes, enfrentando problemas de competição e tendo maior contato com carrapatos. Nesta fase, aumentam as ocorrências de doenças relacionadas com o complexo tristeza. Algumas sugestões para minimizar os problemas nesta fase: · Não promova mais de uma mudança de manejo ao mesmo tempo. Assim, quando cortar o fornecimento de dieta líquida, mantenha os animais na mesma instalação por duas semanas para verificar se estão bem e se ajustaram à dieta só com concentrado; · Se houver mudança de concentrado após o desaleitamento, durante as duas semanas pós-desaleitamento, misture em partes iguais o concentrado inicial com aquele que os animais receberão quando mudarem para a nova instalação. Isto permitirá adaptação ao novo concentrado; · A instalação a ser adotada deve ser limpa e sem encharcamento. No caso de piquetes, deve-se optar por um com as mesmas condições já descritas para o piquete maternidade; · Animais dos dois aos seis meses de idade devem ser mantidos em dois grupos separados, homogêneos principalmente por tamanho; · Propiciar espaço suficiente para minimizar os efeitos da competição natural entre animais, principalmente quanto ao acesso ao alimento. A área de cocho deve ser suficiente para que todos tenham fácil acesso ao alimento. É aconselhável ter mais de um cocho, distanciados o suficiente para permitir que os bezerros menos competitivos possam comer o concentrado com tranqüilidade;
· Combate a endo e ectoparasitas: o contato gradual destes animais com carrapatos deve ser proporcionado pelo acesso freqüente aos pastos, para que estes desenvolvam o sistema de defesa contra os agentes da tristeza parasitária bovina, uma vez estarem prestes a perder a proteção conferida pelos anticorpos da mãe. A partir dos três aos quatro meses de idade, estes animais já podem ser submetidos ao controle estratégico de carrapatos, medida preventiva fundamentada na administração de cinco banhos carrapaticidas, um a cada 21 dias, nos meses mais quentes do ano. Com a mudança do hábito alimentar, os bezerros passam a ingerir larvas de vermes gastrintestinais e pulmonares juntamente com a pastagem, mas a proteção conferida pelos anticorpos da mãe ainda está presente. Os riscos de verminose começam a surgir, portanto, por volta dos três a quatro meses, quando cessa a proteção conferida pelo colostro. A preocupação deve ser maior com bezerros que atingem essa idade nos meses mais frios. Nesta época, é grande o risco de infecção por vermes pulmonares. Daí a importância de se iniciar a vermifugação estratégica por volta do terceiro ou quarto meses de idade, concentrando-se os tratamentos nos meses de abril, julho e setembro, até a época da primeira parição. Em rebanhos com maior grau de sangue europeu, deve-se realizar um quarto tratamento anual no mês de dezembro, devido à maior susceptibilidade destes animais à contaminação por vermes.
Ao seguir as recomendações mencionadas, certamente o produtor terá menos gastos com medicamentos, a mortalidade de animais jovens será minimizada e a rentabilidade da atividade leiteira será bem maior. |
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